segunda-feira, 14 de abril de 2008



Vive dentro de mim

Uma cabocla velha

De mau-olhado,

Acocorada ao pé do borralho,

Olhando pra o fogo.

Benze quebranto.

Bota feitiço...

Ogum. Orixá.

Macumba, terreiro.

Ogã, pai-de-santo...


Vive dentro de mim

A lavadeira do Rio Vermelho.


Seu cheiro gostosoD’água e sabão.

Rodilha de pano.

Trouxa de roupa,Pedra de anil.

Sua coroa verde de são-caetano.


Vive dentro de mim

A mulher cozinheira.

Pimenta e cebola.

Quitute bem feito.

Panela de barro.

Taipa de lenha.

Cozinha antiga

Toda pretinha.

Bem cacheada de picumã.

Pedra pontuda.

Cumbuco de coco.

Pisando alho-sal.


Vive dentro de mim

A mulher do povo.

Bem proletária.

Bem linguaruda,

Desabusada, sem preconceitos,

De casca-grossa,

De chinelinha,

E filharada.


Vive dentro de mim

A mulher roceira.

– Enxerto da terra,

Meio casmurra.

Trabalhadeira.

Madrugadeira.

Analfabeta.

De pé no chão.

Bem parideira.

Bem criadeira.

Seus doze filhos,

Seus vinte netos.


Vive dentro de mim

A mulher da vida.

Minha irmãzinha...

Tão desprezada,

Tão murmurada...

Fingindo alegre seu triste fardo.


Todas as vidas dentro de mim:

Na minha vida

– A vida mera das obscuras.


CORA CORALINA

Um comentário:

Lebowski disse...

Cora Coralindaa!! \o/

há um ditado que diz que sei lá quem são os primeiros a abandonar o navio, oks seremos os últimos a abandonarem o blog!

hahahhahahaha

que gracinhaaa a foto do perfil!*-*